segunda-feira, 16 de abril de 2012

O Livro da Morte - O Casulo

Havia uma vez, em um jardim, uma criança. Pura e simples. Muitas vezes são pessoas assim que minha foice busca para descançar. Mas desta vez foi estranho. Ela não estava atrás do garoto, mas sim de algo bem menor. Bem próximo à ele, havia um casulo. A forma pulpa, já em finalização, de uma larva. Ela já estava em sua forma de borboleta, porém seu casulo ainda estava forte demais, e suas asas não possuiam força o suficiente para quebrá-lo. O menino então se aproximou de onde estava o casulo, e ao notá-lo, ficou observando enquanto a pequena borboleta se agonizava para se libertar. Ainda sem entender o motivo de estar ali, observei também a agonia da borboleta, até que, para minha surpresa, o garoto pega o casulo, e o racha. Eu podia ver em seu rosto que ele sentia o desespero do inseto em não poder se ver livre. Foi aí que entendi o motivo de estar ali naquele momento. Um pouco triste, de fato. Com aquela pequena rachadura, a borboleta foi capaz de quebrar o casulo, que se tornou mais frágil, e então subiu no dedo do menino. Ele observou as asas extremamente coloridas do inseto e sorriu. jogou a mão para cima e observou o inseto batendo as asas. Foi então que o inseto caiu na grama, sobre um formigueiro, e uma agonia ainda maior tomou conta dele, até o último segundo que esperei para que minha foice o cortasse. Pobre garoto, em sua ingenuidade e pureza, quis tentar ajudar, quebrando o casulo para que fosse mais facil para a borboleta se libertar. Mas algumas batalhas precisam ser travadas sozinhas. Não fiquei mais por ali. Tudo o que lembro de ter visto, foi um menino correndo aos prantos, e o restante de um casulo rachado.

Death's Book - The Beauty and the King

Existiu uma vez um homem de imensurável poder. Um rei muito bom e justo. Um dia, à este homem, foi oferecida uma esposa. Uma camponesa vinda de longe, que em troca de ser desposada, pedia ao rei que livrasse sua familia de seus tributos. O rei, ao bater os olhos na camponesa, se cegou por sua beleza. Ele a desposou e disse que cumpriria com sua parte no acordo. Porém ele se tornou cego por seu amor, e se esqueceu da promessa que fizera. E ainda depois, prendeu sua esposa em seu castelo, com medo de que alguém se aproximasse e a roubasse dele. E por muito tempo o rei, antes bondoso e justo, se tornou amargo e frio. Seu reino estava desmoronando, e sua amada esposa, continuava presa, agora em um quarto que sómente ele e suas criadas poderiam entrar. Uma noite, enquanto dormia, o rei foi visitado pelo espírito do amor, que o disse que não achava justo o que ele estava fazendo com a esposa e com seu reino. Disse que se não cumprisse com seus compromissos como rei e marido, aquilo o que ele mais presava seria tirado dele. Assustado, o rei ordenou que nem mais uma criada pudesse ver sua bela esposa, e a manteve longe de tudo e todos, trancafiada em seu palácio. Com o tempo, o reino do rei se tornou decadente, e logo não se havia mais reino para reinar, pois o rei apenas se preocupava em manter sua esposa a salvo. Foi então, que em uma noite, o rei acordou de repente, sentindo um calafrio na espinha. Olhou pelo quarto e não viu nada além de sombras. Até que de um canto, um vulto negro encapuçado tomou forma. E com a luz fraca da lua que entrava pela janela, podia se ver uma enorme foice encostada em seu ombro. O rei encarou a morte, que ficou algum tempo parada, observando, e então lhe perguntou, "Você está aqui para tirá-la de mim?". E com um gesto calmo e tranquilo, a Morte ergueu seu rosto oculto pelo capus, e mexeu a cabeça negando. O rei então perguntou, "Veio para me levar então?", e a Morte tornou a negar. Confuso, o rei pergutou então o que fazia ali a Morte, senão veio tirar a vida de ninguém. A Morte então, deixando que uma lágrima escorresse por seu rosto sob o capus lhe responde.
"Não venho tirar-lhe algo, pois tudo aquilo o que tinhas, já lhe foi tirado. A mulher que jaz em sua cama, já levei há tempos, quando ainda havia beleza em seus traços. Ela, porém, insistiu em querer se manter aqui, esperando que sua promessa um dia fosse cumprida. Mas eu havia lhe dito milhares de vezes que seus pais haviam sido levados por mim, há muitas luas atrás, e que a hora dela também já havia chegado. Mas ela não me aceitou. Quis confiar em você, que ficou cego pela beleza do Sol. Mesmo eu tendo enviado um espirito para alertá-lo, você não o ouviu. E o resto de beleza que havia nela, esse fogo que pouco reside dentro de seu coração, agora está por um fio. Fino e delicado o bastante, para que eu possa partí-lo com a minha foice."
Desesperado, o rei pede por perdão, e que a Morte lhe dê outra chance. Mas a Morte o diz, "Coisas boas nunca duram, se você não souber o modo certo de aproveitá-las." E com um golpe único, a foice da Morte descançou sobre o corpo da mulher, que não mais abriu seus olhos. A Morte deu as costas para o rei, mas antes que partisse, o disse, triste. "Até para mim, que tenho de tratar disso todos os dias, é dificil levar alguém tão puro e bonito quanto essa mulher. Eu sempre achava que a bela matava a fera. Mas no seu caso, a bela foi a causa no nacimento da fera. Talvez agora a besta, em luto, esteja pronta para me receber, e devolver o lugar de direito ao rei." E mergulhando na escuridão, a Morte desapareceu, assim como mais uma das estrelas do céu.

domingo, 1 de abril de 2012

Amanda's Book - Capítulo Final - O Fim da Jornada (The End of the Jorney)

Ela sorriu com os olhos de quem não queria ouvir mais nada do mundo.
Caminhou atrás de respostas para as perguntas nunca feitas.
Sentiu o ódio de cada homem por si só, e amou como se não houvesse um amanhã sólido ou impalpável.
De toda a sua dor, ela ainda pode olhar para os céus e sorrir. Abrir os braços e receber o quente calor do sol, que sempre sorriu para ela todos os dias.
Sua alma estava pura, curada. Sabia que o que havia deixado ali era bem mais do que esperava no começo de tudo. E também que a escuridão ainda a seguia. Era uma batalha sem fim. Algo que ela precisava enfrentar. Aprendeu que tudo tem um tempo. Que existem momentos que se é preciso deixar partir. Mas nunca deixar de lutar. Via o sorriso dele fechando a porta, como se fosse um filme. Mas não se encomodava mais. Podia sorrir, pela primeira vez, vendo que tudo realmente estava bem. Eles tiveram algo realmente maravilhoso. Uma história que ela iria passar para frente no decorrer dos anos, quando as rugas se tornarem aparentes. Mas que por enquanto, mantivesse guardada onde só ela poderia alcançar. Dentro de seu coração.
Sente então seus joelhos tocarem o chão, e o cheiro da terra molhada tocar-lhe o nariz. E novamente sorri, dessa vez com mais intensidade. E fala algo que nunca esperou dizer: "Obrigada."
Amanda abre os olhos e encherga o vazio em sua frente, porém desta vez, não é um espaço negro, envolto de dores e tristezas, mas sim azul e branco, com desafios e aprendizados. Um caminho novo. E bem ao fundo se encontra o rosto dele, o homem que uma vez tomou seu coração como jóia, e feriu como espinho, marcando como o fogo. O homem cujo amor sempre será lembrado, com um sorriso entre uma porta se fechando, de uma casa que não era a dela, mas sim daquela que pode tomar seu lugar com orgulho. Ela entendia agora, mesmo sem saber explicar, mas ele estava feliz, até mesmo por dentro dela. E estava na hora de ela ficar também. Aquele sorriso entre uma porta que nunca se fecharia realmente era o que a motivava agora.
Pondo-se de pé, Amanda encara o horizonte vivo a sua frente.
- Está na hora de fazer as perguntas certas. Obrigada por aguentar tudo. - ela olha para o lado e vê o "Imaginário" sorrindo - Mas agora este é um caminho que preciso trilhar sozinha. Eu sempre vou me lembrar de você, como uma parte de mim, que nunca se apaga. E assim como você fez, eu fecho minha porta para você, esperando que você compreenda que ela nunca estará, de fato, fechada. E que por trás dela, você ainda poderá me encontrar sorrindo.
Com o coração ainda apertado ela dá o primeiro passo. É um sentimento diferente. Sua caminhada é leve, e ao mesmo tempo pesada. Ela olha para trás e vê pela última vez o reflexo criado por sua mente, daquele a quem ela tanto amou. Ele sorri.
- Foi bom ouvir sua voz outra vez.
Ela vira o rosto e deixa que seu coração guarde aquela memória para sempre. A luz envolve seu corpo e ela está novamente em seu quarto, encarando o teto. Era impossível explicar como se sentia, mas ela sabia. Sabia o que tinha de fazer dentro de si. E com um impulso ela se levanta da cama e encara a porta. Vai até ela e gira a maçaneta. Da o primeiro passo para fora e sente a doce brisa do primeiro dia. Atrás dela, apenas uma vaga lembrança de um castelo, uma arvore, uma dor, um menino, uma porta, e um sorriso. Guardados para sempre no "Livro de Amanda".

(Sierepilef's - Amanda's Book)

segunda-feira, 12 de março de 2012

Para que o céu possa ser contruído
Deus precisa seus anjos ter
Talvez seja por isso
que, às vezes, os mais jovens tem de morrer...

[LUTO por Amanda]